segunda-feira, 2 de julho de 2012

Método para Reduzir a Testosterona em Transexuais FTM


    A ablação não cirúrgica dos testículos já foi descrita em animais com o uso de um instrumento apropriado para interromper o fluxo sanguíneo da artéria testicular. Há 10 anos em Michigan, os cirurgiões Dr. Michael Herzog e Dr. Richard Santucci descreveram o seu uso pela primeira vez em uma paciente transexual MtF.
       O procedimento foi indicado para que a paciente pudesse interromper o uso de medicamentos inibidores da Testosterona. No caso relatado, a paciente usava altas doses de Espironolactona. Um outro antiandrogênico bastante usado é a Ciproterona (Androcur). As vantagens do procedimento são inúmeras. Pode ser realizado com anestesia local, é mais barato do que a orquiectomia cirúrgica tradicional, é realizado sem cortes e não deixa cicatrizes. O fato de não deixar cicatrizes é importante para a futura cirurgia de redesignação da genitália.
       Esse tipo de ablação testicular realizado pelos autores seguiu as normas do Standarts of Care da World Association for Transgender Health e no Brasil os procedimentos complementares sobre gonadas no tratamento do Transexualismo são autorizados pela resolução do CFM 1.955/10.
      O primeiro caso relatado foi realizado em 2002 e obteve sucesso. A paciente MtF tinha 26 anos e já vivia hormonalmente e socialmente no gênero feminino há 5 anos. Não foi necessário internação, a paciente foi para casa logo após a intervenção e usou apenas medicamentos analgésicos. O resultado foi comprovado por ultra-som e foi possível observar a atrofia testicular bilateralmente. Os níveis de Testosterona após a atrofia ficaram entre 0 e 20ng/mL, os níveis normais são de 241 até 827ng/mL no método utilizado.
       Os autores ressaltaram que em búfalos a técnica obteve uma falha de 10% na atrofia testicular e que na maioria dos outros animais o resultado foi próximo de 100%. Segundo eles, o resultado em humanos é similar aos resultados obtidos com animais.


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Câncer de Mama no Homem Transexual (FTM)

     Até o momento não existem estudos de longo prazo sobre o risco de câncer de mama em homens FTM (Female to Male). O que é recomendado segundo a Dra. Jamie Feldman, especialista em Medicina Transexual da Universidade de Ilinois, está resumido abaixo.
     Com relação ao câncer de mama os homens FTM são divididos em dois grupos. O primeiro grupo engloba os pacientes que não foram submetidos à cirurgia de masculinização do tórax em uso ou não de testosterona e o segundo grupo engloba os pacientes submetidos à masculinização do tórax em uso ou não de testosterona. Ou seja, com relação ao câncer de mama, as evidências atuais apontam que a cirurgia é importante na redução do risco e o uso ou não de testosterona não influencia no risco.
     No primeiro grupo, não foi observado evidência de aumento do risco de câncer de mama quando comparados homens FTM e mulheres biológicas. Essas observações são de estudos realizados nos EUA. Em um deles, o Dr. Dimitrakakis tratou 508 mulheres na menopausa e observou que o uso de testosterona não aumentou e inclusive poderia diminuir o risco de câncer de mama relacionado a reposição hormonal de estrogênio na pós-menopausa. Outros estudos demonstraram um discreto aumento ou discreta diminuição no risco de câncer de mama. Assim, não existe evidência concreta de aumento de risco para homens FTM antes da masculinização de tórax em uso ou não de testosterona e a recomendação é que seja seguido os protocolos de rastreio de câncer de mama idênticos aos das mulheres biológicas.
     No segundo grupo, os homens FTM que foram submetidos a qualquer uma das técnicas de masculinização de tórax, chamada por muitos de mastectomia, permanecem com alguma quantidade de tecido mamário para a obtenção de um resultado cosmético mais natural. Essa quantidade de glândula mamária residual é equivalente ao tamanho da glândula mamária masculina e está situada predominantemente atrás da aréola e dentro da papila (mamilo). Se for retirada resultará num aspecto de afundamento desse local. Muitos estudos em mulheres biológicas submetidas à mamoplastia redutora observaram a redução do risco de câncer de mama proporcional a quantidade de glândula mamária removida.
     A incidência de câncer de mama em homens biológicos é 1/100 da incidência em mulheres biológicas. Entretanto, o risco de câncer de mama entre homens com síndrome de Klinefelter é cinquenta vezes maior do que nos homens biológicos. Homens com síndrome de Klinefelter possuem cromossomos XXY, testosterona menor que de homens biológicos, estrogênio e gonadotrofinas maiores do que homens biológicos e ginecomastia.
     Posto isso, homens FTM possuem algumas características semelhantes aos homens Klinefelter e isto tem sugerido um risco maior de câncer de mama em homens FTM quando comparados a homens biológicos. Assim, é recomendado exames anuais do tórax e axilas devido ao pequeno, contudo ainda possível, risco de câncer de mama nos homens FTM submetidos à cirurgia de masculinização do tórax.



     

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Breakfast on Pluto

“Café da Manhã em Plutão” é uma adaptação da obra literária de Patrick McCabe e foi um dos melhores filmes exibidos no Festival do Rio 2005. Além de uma direção caprichada de Jordan e um roteiro praticamente sem furos, o longa nos traz aquela que sem sombra de dúvida é a performance da vida de Cillian Murphy, transmitindo sem furos a essência da transexualidade.
Patrick "Kitten" Brady (Murphy) é uma transexual nascida numa pequena cidade da Irlanda. Filho de um relacionamento entre o padre local e uma doméstica, depois de abandonado pela mãe Kitten foi adotado por uma alcoólatra chamada Whiskers. Ao dar sinais da sua identidade de gênero feminino, o então menino Patrick sofre com a intolerância no seu lar adotivo e na escola. Decide sair em busca de sua mãe verdadeira, "Lady Ghost",  rumo a Londres. Na sua trajetória vive paixões e preconceitos, tanto por sua condição transexual com por sua nacionalidade irlandeza.
Apesar de parecer um drama denso e triste, não o é. O longa é extremamente divertido e não é ofensivo em momento algum, e ainda conta com uma excepcional trilha sonora que reúne bandas e músicos como Bobby Goldsboro, Cole Porter, Harry Nilsson, Dusty Springfield, T-Rex, Kris Kristofferson, Patti Page, Buffalo Springfield e Van Morrison, entre outros.

Outro aspecto interessante do filme é o retrato da transexualidade numa época onde a cirurgia plástica e a hormônioterapia não estavam tão populares como hoje.
Recomendo! 



quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O Devastador Silicone Líquido

     De todas as formas ilícitas de feminização do corpo, a injeção de silicone líquido é sem dúvidas a que mais provoca danos irreparáveis. Foi pensando nisto que escolhi este tema para o meu primeiro texto nesse blog.
     Há mais de 100 anos, médicos e pessoas leigas têm praticado injeções subcutâneas e intramusculares de fluidos altamente viscosos para restaurar e modificar o contorno corporal. Inicialmente, o óleo mineral e a vaselina foram utilizados e suas complicações foram relatadas predominantemente na primeira metade do século passado. Já as injeções de silicone líquido tornaram-se populares depois da Segunda Guerra Mundial porque estudos preliminares indicaram que o silicone era bem tolerado e provocava pouca reação local e nenhuma reação sistêmica.
     Logo se tornou óbvio que o silicone injetável não era tão inerte quanto anteriormente antecipado. Entretanto, as injeções subcutâneas e intramusculares de silicone e óleo mineral continuaram populares como um método barato e alternativo à cirurgia plástica convencional. Como tal, são oferecidas a transexuais e travestis de forma a parecer um procedimento simples para feminizar a face, mamas, glúteos, quadris e panturrilhas.
     Muitos litros desses fluidos necessitam ser injetados para obtenção de feminização corporal. A quantidade pode variar de 1,5 a 8 litros e a aparente simplicidade da técnica tende a disfarçar que graves complicações podem seguir-se a essas injeções impróprias e sem cuidados específicos. São elas, inflamações agudas, fibroses severas, granulomas, siliconomas, necroses, amputações, migração gravitacional, contorno desproporcional e deformidades, fístulas, alteração de coloração e textura da pele, linfoadenopatia, compressão de órgãos, embolia pulmonar, pneumonia, hepatite, pancitopenia e morte.
     Espero ter orientado a quem esteja pensando em submeter-se a este procedimento ilegal. A remoção cirúrgica de todo o silicone injetado é impossível e não existe tratamento para modificar os efeitos do silicone nos tecidos. Quem possui silicone injetado deve ser acompanhado por um médico familiarizado como o tema. Em vista dos riscos, a feminização com uso de silicone líquido ou óleo mineral deve ser condenada por todos.